Crônica da morte da pomba no quarto de um amigo

Ao acordar mais cedo do que costumava
Uma pomba assombra o dia que se inicia
A menina que já desejou ser bruxa, assustada, questiona a ave ingênua.

Questiona a própria sorte.
Questiona sua índole.
Questiona as escolhas. Talvez já desajasse ser pomba um dia.
Questiona as escolhas que ainda não escolheu.
Não conseguia pensar em mais nada.

Considerou um prelúdio de Hitchcock.
Chama seu amigo valente para prestar-lhe explicações e talvez até conforta-la.

Ela já não sabe mais o que fazer.
A pomba repousa angélica
Um cordão de pombas amigas celebram o seu funeral.
As amigas após o enterro não mais voltarão.

As amigas sempre cumprem com o seu dever.
O dever das amigas é vão.

Depois de velarem sua passada não têm mais função.

O que nos une ó pomba maldita!

São segredos pútridos.
Nossas semelhanças entre pousos e vôos.
Nossas memórias repulsivas.
Eu escolhi esse lugar para morar.
Vocês escolheu esse lugar para morrer.
Num minuto eu não te entendia, agora já posso sentar para escrever.
Descanse em paz minha pomba querida.
Da janela da vida guardarei nossa alma perdida.

Tijuca. Inverno de 2015.

pomba

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Sobre indelevelsabina

Uma amante anônima.
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