Um texto que mudou de títulos várias vezes…

Essa história não pode ser tão diferente das outras e não passa de conversa de marinheira que não consegue dormir porque está metida em mais uma armadilha do amor.
Assim segue esse coração solitário, vagando, escrevendo, bebendo e amando. Tudo começou num triste fevereiro quando é o início do ano letivo em todo o país. Passando para a parte que realmente interessa, isso era outubro mais ou menos e eu me relacionava com um cara que estudava comigo. Bonitão, meio “nerd”, metido a galã. Mentiroso que só vendo. Caralho, cada frase uma mentira, e não olhava nos olhos nunca. O cheiro era bom, de empresa grande, sempre me seduzia como uma boa música ou como aquele cheiro de coco queimado que vendem no centro da cidade, eu amo esses coquinhos. Ele me iniciou no rolê “beat” (o que está muito na moda entre os cults da academia), me mostrava livros que eu só ouvira falar vagamente, me mostrou alguns sons que meu coração disparava de tanto que sentia, as cordas dos instrumentos pareciam ser minhas veias levando o sangue para o peito no ritmo da batera, que se comparava as batidas do meu coração acelerado de tanto entusiasmo. Eu estava recém divorciada, cansada com os punks, ainda tinha me relacionado com o cara do splatter/grind/gore, não queria mais ver sangue em capa de cd, isso estava decidido. E assim seguiu, uma amizade colorida em beat de jazz, blues e muito experimental, foi lindo. A literatura nunca esteve tão viva entre nós, parecia que 2 horas e meia de viagem era toda a escola literária explicada em uma resenha. Parecia ser o amor verdadeiro, aquele que os comerciais anunciam como um Ken dentro de uma caixa, sorrindo para a sua amada Barbie sentada na beira da piscina. Pensar que ele poderia ser o Ken foi a coisa mais deprimente que poderia ter passado pela minha cabeça. Depois de muitos casos e acasos eu resolvo me desprender totalmente desse romance, até porque pessoas que não olham nos olhos nunca foram meu tipo. Ele me fala de um cara que seria perfeito para mim, mais intenso, mais jovem. Diz que via nós dois juntos, que aquilo sim exalava amor, um cara exatamente como eu. Pensei, negócio fechado, vamos ver o que pode ser pior do que todos os caras que eu tenho levado pra cama. E fui atrás do tal poeta.
 
Final de trabalho, vou pro bar. Despretensiosa, não quero nada demais, umas cervejas, uma música, ver os amigos, fumar um cigarro. Peço uma cerveja. Uma amiga aparece, cheia de vida como sempre, começa a falar do romance que acabara com um gato, seu nome “Bob Dylan”, o apelido é assim porque ele canta igual, dizem que ele quer ser o próprio, mas isso eu já não posso concordar, até porque não tive meu tempo para ter certeza. Ela não reclama muito, fala que está bem, quando olho para ver quem é o tal poeta me deparo com uma merda de um piá segurando uma guitarra branca horrível de forma desconfortável, escondido por trás de um sorriso maravilhosamente bem cretino, cabelos pretos, meio ondulados, oleosos achei, despenteados, mas que combinavam com o formato do seu rosto. Não pude ver o olhar, achei impressionante a vontade de cantar, o orgasmo com a guitarra e com as letras balbuciadas às paredes do bar. 
Acaba o show, estamos lá fora conversando e fumando, pois é, não é permitido fumar em ambientes fechados, o que não me deixa muito contente. Conheço todas as pessoas que estão no bar, sou uma espécie de xerife da cidade, nascida aqui conheço cada canto, cada por do sol, cada pedra de cada calçada, esses salto altos já cravaram suas marcas por longos caminhos do asfalto metálico que cobre a cidade, fui uma jovem muito noturna. Fitei o poeta, ele me olhou, nos cumprimentamos com sorriso ambos, eu disse qualquer coisa no ouvido dele, ele riu e tentou me beijar. Recuei. Essa é a melhor parte da conquista, presa fácil pensei. Eu disse que tinha uma amiga que era a fim dele, eu não faria isso com ela, não faço isso com amigas. Ele disse vamos pra minha casa. Assim o fizemos, ele foi, eu fui. Transamos.
 
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Sobre indelevelsabina

Uma amante anônima.
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