Sobre a dificuldade de descontruir um amor.

Bem chegamos ao século da modernidade, do dadaísmo às avessas, da tecnologia humanizada, do momento de descontruir. Descontruímos as relações cartesianas, iluminadas às rezas da razão e do homem pelo homem, da segurança e satisfação eternizadas no controle dos fenômenos, até nos do coração.

Informação tornou-se palavra de ordem. Domínio agora, somente das novas tecnologias, que vorazmente nos engole na imensidão da cybernética.

De nossos antepassados nos restou a cultura, que deve ser vista como objeto de estudo estática e imutável a seu tempo de observação, sem amarras nos livramos facilmente daquilo que não nos tem valor ou que nos  tenha deixado a apetecer.

Aos paladares (pós?) modernistas a facilidade em desvincurlar-se tornou-se a cultura suprema. Para aquilo que não nos traz a satisfação imediata esperada, há sempre uma nova “escolha”, uma nova “alternativa” esperando por imperar.

Não sejamos simplistas, o mundo é grande demais para se resumir às mesmisses de uma vida levada apenas à divagação e tentativa contínua no erro, tentar pode ser resumido a um dia, pode ser cronometrado, mensurado e planejado. As tentativas agora têm hora para acontecer e hora marcada para acabar, pois à espera delas há uma infindade de possibilidades, mais atraentes e mais interessantes/emocionantes dos que as desinteressantes novidades do mesmo.

Palavras de ordem e receitas de felicidade estão sendo aclamadas diariamente nos meios de comunicação. Os problemas da humanidade estão mais próximos da solução, que passa a se reconfigurar a cada clic do mouse, a cada compra feita no cartão.

Os amores estão no patamar da satisfação fast food. Tão rápida e tão calórica, que altas dosagens de amor podem fazer a pressão ir às alturas num par de dias, ao passo que a insatisfação causada pela altitude, pode levar o amor às geleiras do ódio e da indiferença em segundos, calculados e cronometrados.

Relacionar-se com uma (um) amante tornou-se a “opção” mais segura, as incertezas que rondam o vácuo da existência se consolidam na companhia daquela (daquele) que transborda o amor e que não mede as consequencias dos seus atos, nem calcula racionalmente os passos nos caminhos do amor.

Ter uma (um) amante parece ser a “alternativa” mais fast food e menos dolorosa à vulnerabilidade das relações, que estão cada vez mais frágeis e doentias.

Não é necessário se expor e correr riscos, exposição somente virtual, a internet é a grande facilitadora dos relacionamentos contemporâneos. Ninguém mais precisa mostrar os seus eus interiores, a menos que vc seja uma (um) amante e esteja disposta a jogar as regras do outro.

O outro (a outra), esse sempre seguro de si, sempre dando as cartas e dando o rítmo da orquestra, como bom maestro, acredita no seu rítmo, acredita esse ser o segredo da harmonia da sua música e do seu sucesso previsível. Pobre coitados, ainda não percebeu que a beleza do seu som está na variedade de rítmos mesclados e não no controle das notas musicais.

Assim é ser amante, viver na incerteza do ser, na instabilidade ausente de razão, na compaixão de saber amar, na habilidade de não planejar e de não ter o controle dos fênomenos. É viver na sabedoria da não existência de uma essência ou de uma razão.

É viver a causa e não o efeito.

Saibamos correr os riscos da fragilidade humana, saibamos amar, vivamos o descontrole!

Como as amantes!

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Sobre indelevelsabina

Uma amante anônima.
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